Após vencer o coronavírus, geógrafo apresenta livro e CD concebidos durante a pandemia

O evento cultural deve ocorrer no auditório do Centro de Estudos Superiores de Parintins, da Universidade do Estado do Amazonas (Cesp-UEA), no dia 02 de setembro

Após vencer o coronavírus, geógrafo apresenta livro e CD concebidos durante a pandemia Foto: João Carlos Moraes Notícia do dia 30/08/2022

Foram dois anos de espera, após vencer a luta contra o coronavírus e superar a Covid-19, que o geógrafo, poeta, compositor e cantor, Francisco Everardo Girão, carinhosamente chamado de Professor Girão, vai realizar o Sarau “O Brilho da Inocência" para, enfim, apresentar presencialmente as suas duas obras literárias concebidas no período de confinamento da pandemia: o livro “O BRILHO DA INOCÊNCIA - Poesias para Amazônia” e o CD “PARAGEM - Músicas para a Amazônia", com a colaboração do amigo, e também geógrafo, Eduardo Gomes, vítima da doença.

 

O evento cultural deve ocorrer no auditório do Centro de Estudos Superiores de Parintins, da Universidade do Estado do Amazonas (Cesp-UEA), no dia 02 de setembro, às 19h. 

 

As obras foram vencedoras do Prêmio Feliciano Lana, da Lei Aldir Blanc, edital público 05/2020 do Programa Cultura Criativa, do Governo do Amazonas.

 

Segundo Girão, logo após o primeiro dia de gravação do cd, ambos sentiram os sintomas da doença tiveram que suspender os trabalhos. Eduardo precisou ser internado logo que retornou para casa, já Francisco foi encaminhado para o hospital no dia 13 de janeiro de 2021, quatro dias depois, no auge da crise sanitária no Amazonas, soube que tinha perdido o amigo de longa data.

 

Ele ressalta a importância do parceiro na construção das obras. “Eu fiz as letras, em parceria com Eduardo Gomes, que se foi, infelizmente. Ele fez boa parte das melodias e eu fiz as letras e canto no disco. Tem três músicas que deu para o Eduardo [Gomes] gravar. E a gente faz uma homenagem no sarau, ele foi muito importante na concepção desse CD.”

 

De acordo com o autor, a inspiração para a construção das obras tem inspiração nos povos da Amazônia e na natureza, principalmente, o Rio Amazonas. “Eu tenho uma ligação muito forte com os rios. Eu nasci na margem de um rio lá no Ceará, chamado Rio Banabuiú, eu vim morar na margem do Rio Negro, depois na margem do Rio Solimões e, agora, no Rio Amazonas, em Parintins. Então, a minha maior inspiração é o rio, o pôr do sol, o ribeirinho, o indígena, o caboclo, as pessoas que realmente lutam muito para sobreviver na Amazônia.”.

 

Francisco conta que sempre teve um grande apreço pela arte e que andava meio afastado, mas foi na pandemia que se reaproximou dela. “Surgiu como uma fuga essa parte artística” e desabafa, “Eu acho que tem muita gente fazendo guerra, corrupção, fazendo coisas erradas, e nada melhor do que ter uma vida mais suave com poesia e música”.

 

Sobre quais das poesias lhe tocavam mais o coração e o sentimento, Francisco destaca duas: Sobrevivente, de sua própria autoria, e Recordando, de Eduardo Gomes.

 

“No livro, a última poesia [Sobrevivente] me toca profundamente porque eu ainda estava internado quando deu um vontade de escrever, e realmente a poesia é muito forte, é como uma mensagem de sobrevivência e agradecimento a Deus por estar aqui. E tem várias poesias como, por exemplo, Recordando, que é uma poesia que Eduardo Gomes escreveu, que na verdade é uma despedida, é uma mensagem de despedida que eu não tinha entendido. Eu entendi depois que ele se foi.”.

 

Tanto o livro “O Brilho da Inocência - Poesias para Amazônia” como disco “Paragem - Músicas para a Amazônia” estão disponíveis, ainda, na versão física, e, o que parece, pretendem despertar nos leitores e apreciadores da música popular amazonense o amor pela natureza e a esperança ao povos da amazônia.

 

SOBRE O AUTOR

Francisco Everardo Girão nasceu no Sertão de Quixadá no Ceará, em 06 de abril de 1963. E há quase 30 anos vive no Amazonas. Fixou-se na capital Manaus, no ano de 1995.

 

Girão é geógrafo, especialista em Geografia da Amazônia Brasileira e mestre em Geologia Regional, professor universitário, poeta, músico, compositor e fotógrafo de natureza. Venceu a Covid-19 e ganhou três prêmios: V Concurso “Poetas Emergentes do Amazonas”, em Manaus (2010), com a poesia “Sertões” e tem suas poesias musicadas no “CD SENTIMENTOS” pelo artista potiguar, Ismael Dumangue (2012). Vencedor do Prêmio Feliciano Lana, da Lei Aldir Blanc, edital público 05/2020 do Programa Cultura Criativa, com o Livro: “O BRILHO DA INOCÊNCIA - Poesias para Amazônia" e no mesmo edital, o prêmio do CD “PARAGEM - Músicas para a Amazônia".

 

Já viajou pelos quatro cantos do interior do Amazonas, entrando em contato com a paisagem e o universo vivencial dos ribeirinhos e indígenas, fazendo-se por meio de seus poemas e músicas, intérpretes de suas cores, sentimentos e esperanças.

 

Escolheu Parintins para morar e viver em 2019. A estreia como poeta aconteceu em 2012, com a publicação do livro “NA BEIRA DO RIO” e tem poesias autorais musicadas no CD “Sentimentos”, lançado no mesmo ano.

 

Em 2017, lançou o livro científico “PLANEJAMENTO DE SISTEMAS DE TRILHAS: Uma Pegada Social, Cultural e Ambiental”, em parceria com o pesquisador Ronisley Martins.

 

Por João Carlos Moraes

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