“Cultura, o triunfo do povo” é o tema 2024 do Boi-Bumbá Caprichoso

A proposta destaca a cultura popular e os povos que manifestam sua vida através dela

“Cultura, o triunfo do povo” é o tema 2024 do Boi-Bumbá Caprichoso Foto: Eldiney Alcântara Notícia do dia 05/11/2023

Com o tema “Cultura, o triunfo do povo”, o boi Caprichoso vai buscar o tricampeonato no Festival Folclórico de Parintins 2024. O anúncio foi feito neste sábado, 04, durante a festa dos 110 anos do bumbá, no curral Zeca Xibelão. A proposta destaca a cultura popular e os povos que manifestam sua vida através dela.

 

“A gente se propõe um novo projeto, um novo Caprichoso é um novo festival. Esse tema vai nortear a busca do tricampeonato. Vamos começar uma nova energia”, disse o presidente do Caprichoso, Rossy Amoedo.

 

A festa do Caprichoso reuniu itens oficiais, diretoria, Marujada, dançarinos e a nação azulada. Além da temática, a nação azulada comemorou 110 de história do bumbá em Parintins, que foi celebrado ao longo da semana azul e branca.

 

Texto: Eldiney Alcântara

 

Sinopse do tema fornecida pela diretoria do Caprichoso

 

CULTURA, O TRIUNFO DO POVO

 

No princípio, as deusas e deuses criaram Parintins, território sagrado de encantarias e mistérios. Suas gentes, expressão divina da criação, passaram a ser dotadas de saberes e fazeres específicos, um talento cuja vocação se faz presente em cada gesto e em cada canto, em cada palavra e sorriso, um brado de luta e emancipação.

 

Essa gente que se fez água, que se fez cor, que é noite e dia, frio e calor, tornou-se a personificação da natureza sagrada, e como tal, a expressão da resistência contra tantos outros e outras que insistem na destruição dos biomas. Quando uma árvore é derrubada, quando o rio é poluído, o parintinense chora porque é feito da mesma matéria que a produziu, do mesmo ato de criação a que se fez parte. Do mesmo gesto e do mesmo verbo.

 

Parintins é Amazônia. Parintins é Brasil.

As gentes da Amazônia são unas porque são muitas. Simples e plural. Povo e multidão. Essa gente é sabor porque são muitos os gostos e aromas das comidas de indígenas e caboclos. É crença, crendices e adivinhação.

 

É mito que explica a origem dos seres e da natureza. É rito, que dramatiza histórias e marca as fases da vida. É lenda, dos caboclos e ribeirinhos, gente das águas e das matas.

 

É o quilombo do Erepecuru, "a força de um povo que vem do rio", é Tambor de Mina, é Retumbão, a dança dos marujeiros de Bragança. É a corda do Círio, os brinquedos de Miriti, a força das mulheres coletoras da pimenta Baniwa, a pesca com Timbó, o gambá de Maués, o Puxirum dos caboclos.

 

É arte, que torna singular os ilhéus de Parintins, com suas cores e expressões, fantasias e alegorias, cantos e danças. É mestre Bacuri, da Marujada de Guerra, que faz do pulsar do seu tambor, o símbolo da resistência, onde os bumbás da Amazônia, um dia, foram perseguidos pelas elites.

 

É ancestralidade porque sabemos de onde viemos. É presente porque o vivemos. É futuro porque sabemos onde queremos chegar. É fé, a expressão de um povo de luz e de esperança, que na dúvida das suas incertezas, creditam aos deuses seus nortes e consciências.

 

Essa gente é Caprichoso, o boi preto de Parintins, o verdadeiro boi do povo, construído por muitas mãos, expressão do coletivo, de Roque e Ednelza Cid, Luiz Gonzaga e Luiz Pereira, Dora e Chica, Joãos e Marias. É festa, cor, liberdade e poesia. É a criança com seu brincar, é a Marujada no dois pra lá e dois pra cá. É Arlindo Júnior e Daniel, cantador de boi.

 

É Lióca e o iluminar de sua lamparina que, mais uma vez, conduz os caminhos do touro amado e de sua galera, anunciando e exaltando a chegada do boi campeão.

 

Tudo isso é Parintins. Tudo isso é Amazônia. Tudo isso é Caprichoso.

 

Tudo isso é "Cultura, o Triunfo do Povo".

 

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