Foto: Pedro Coelho - SECOM
Notícia do dia 28/07/2026
Um festival original, que preserva sua essência e valoriza os saberes da floresta. Construído a partir de elementos naturais como madeira, palha e cipó, que ganham vida nas alegorias e cenários, o XXI Festival do Mocambo do Arari promete encantar o público nos dias 7, 8 e 9 de agosto.
A programação reúne os bumbás Touro Branco e Espalha Emoção, além de apresentações de quadrilhas juninas e grupos de pássaros, celebrando a riqueza cultural e as tradições da comunidade.
Reafirmando o compromisso com as raízes da terra, a sustentabilidade e a valorização dos saberes tradicionais, onde a criatividade dos artistas transforma materiais naturais em verdadeiras obras de arte, o Festival ganha forma com a apresentação oficial dos projetos artísticos dos bois-bumbás Touro Branco e Espalha Emoção, que prometem levar à arena espetáculos marcados pela valorização da cultura, fé, memória e identidade do povo mocambense.
Os bumbás se apresentam nas noites de 8 e 9 com a ordem de apresentação definida por sorteio. Nas duas noites, o Boi Espalha Emoção abre o Festival e o Boi Touro Branco encerra o evento.
O Boi-Bumbá Touro Branco, que detém o título de campeão, tem na presidência Vinícius Costa. Defenderá o tema "Saberes Ancestrais", uma homenagem aos conhecimentos tradicionais da Amazônia, à medicina da floresta, à espiritualidade e aos ensinamentos transmitidos de geração em geração.
O espetáculo será desenvolvido em duas noites, com os subtemas "O Saber pela Cura" e "O Saber pela Fé", destacando a força dos curadores, benzedeiras, parteiras, sacacas e demais guardiões dos saberes populares.
A concepção artística tem como base as obras "Vestígio de Curandagem", da professora Fátima Guedes, que valoriza as práticas tradicionais de cura por meio da fé e das plantas medicinais, e "Mocambo do Arari, Sua História, Sua Gente", da professora Antônia Quintila Gomes Prestes, que resgata as origens, a trajetória e os aspectos históricos, sociais e culturais do distrito.
Entre as novidades deste ano está a mudança do nome do ritmo Marujada para Mocambada. A ideia é diferenciar cada vez mais dos bois de Parintins, afirma o presidente.
O coordenador do Conselho de Arte do Boi Touro Branco, Zandonaid Bastos, afirmou que a preparação do bumbá entrou em uma nova etapa com o início da montagem alegórica do espetáculo "Saberes Ancestrais".
Segundo ele, já chegaram ao Mocambo as esculturas que integrarão a cenografia do proscênio, além dos materiais de decoração que darão forma ao projeto artístico desenvolvido ao longo dos últimos dez meses.
"Hoje o Touro Branco entra em uma nova fase, que é a parte alegórica. Também recebemos os materiais de decoração. Cerca de 10% da ferragem que será utilizada já está com os artistas, assim como todo o material de acabamento, cola, pistolas de grampo, pregos e parafusos. Tudo o que nossas alegorias precisam para o acabamento. Estamos dentro do cronograma", destacou.
De acordo com Zandonaid, a expectativa é concluir essa etapa nas próximas duas semanas com a chegada dos integrantes do elenco artístico. Os ensaios acontecem simultâneamente na Cidade Garantido e parte do elenco ensaia na sede do Divino, no Mocambo, e as coreografias preparadas no Curral do Boi Caprichoso.
O Boi-Bumbá Espalha Emoção, pioneiro do Distrito do Mocambo, comemora 27 anos de história e 21 anos de disputa no Festival com o tema "Nosso Folclore Popular", um espetáculo que valoriza a identidade cultural, os artistas e os saberes tradicionais da comunidade.
Sob a presidência de Altaides Ribeiro, o bumbá leva para a arena uma homenagem às raízes do Mocambo, destacando seus ceramistas, artesãos, agricultores e fazedores de cultura, reforçando o compromisso de preservar a memória e fortalecer a cultura popular amazônica.
O espetáculo abre com o subtema "Amazônia em Festa", celebrando a alegria da floresta e a riqueza da cultura amazônica.
Na segunda noite, o subtema "Festejos e Saberes" evidencia a fé, o folclore e os conhecimentos populares preservados pelas gerações do Mocambo.
A pesquisadora e diretora de arena Janice Cardoso enfatiza que a inspiração vem de Mario Ypiranga Monteiro conhecido como o pai do folclore amazônico. Foi advogado, professor da Ufam, jornalista, historiador, etnólogo e folclorista.
“Nosso projeto foi fundamentado na sua obra: Folclore Amazônico, volume 1, escrito em 1950, que retrata as lendas, crendices e costumes da Amazônia. Ele também foi um dos primeiros organizadores do primeiro Festival Folclórico do Amazonas em 1954. O espetáculo reúne artistas de diferentes segmentos da cultura popular”, comenta Janice.
Neste ano, o boi trás de volta o apresentador Cardoso Jr. Janice Cardoso destacou que o bumbá vive uma das fases mais intensas da preparação para o Festival Folclórico do Mocambo 2026, com todos os setores trabalhando de forma integrada para levar um grande espetáculo à arena.
"O Boi-Bumbá Espalha Emoção está na fase de produção das alegorias. Nossos artistas trabalham dia e noite para entregar um espetáculo à altura de quem vem prestigiar o Festival do Mocambo. Ao mesmo tempo, os artistas das indumentárias confeccionam os figurinos da vaqueirada, da tamurada e dos demais segmentos do boi”, ressalta.
Segundo ela, além da produção artística, os ensaios seguem em ritmo acelerado. Os itens individuais já realizam seus treinamentos, assim como os povos originários e os tuxauas, que se preparam para compor as apresentações nas duas noites de festival.
"Todos os setores do boi estão envolvidos. Coordenação, diretoria, presidente, artistas e equipes técnicas falam a mesma língua e trabalham pelo mesmo objetivo: apresentar um grandioso espetáculo para o público que prestigia o Festival do Mocambo”, enfatiza.