Herança que vira notícia: como os filhos de Parintins usam a comunicação para eternizar a paixão por Garantido e Caprichoso

São filhos e netos de famílias que ajudaram a construir a identidade dos bois e que hoje transformam em comunicação toda a paixão herdada de gerações

Herança que vira notícia: como os filhos de Parintins usam a comunicação para eternizar a paixão por Garantido e Caprichoso Foto: arquivo pessoal Notícia do dia 20/06/2026

Entre fotografias e narrativas que eternizam emoções, os herdeiros do Festival de Parintins mantêm viva a missão de contar a história do maior espetáculo da Amazônia. São filhos e netos de famílias que ajudaram a construir a identidade dos bois e que hoje transformam em comunicação toda a paixão herdada de gerações.

 

Sidney de Carvalho Simas carrega no sobrenome e na trajetória um legado diretamente ligado à história do Boi Garantido. Bisneto de Lindolfo Monteverde, fundador do boi da Baixa do São José, e neto da Mestra da Cultura Popular Maria do Carmo Monteverde, ele cresceu cercado pelas tradições que moldaram a identidade cultural da ilha. Esse DNA de cultura e tradição conectou-o às suas raízes e à história que transformou a cidade em um símbolo do saber popular.

 

Atualmente coordenador de Fotografia da Prefeitura de Parintins, Sidney vive a singular experiência de ser um apaixonado pela tradição que, por dever de ofício, precisa manter o olhar técnico e distante do observador. “Essa posição, embora me mantenha fora da 'festa' como torcedor, permite que eu atue como um preservador da memória, utilizando as lentes para documentar a essência da cultura que minha família ajudou a edificar”, ressalta.

 

A trajetória de Sidney ilustra como a dedicação profissional pode ser uma forma contemporânea de devoção. Ao manter viva a herança dos Monteverde, ele demonstra que honrar o passado não se limita à arena, mas exige o cuidado constante com o registro e a valorização das raízes que sustentam a alma parintinense.

 

Do outro lado do bumbódromo, a relação da jornalista Peta Cid com o Boi Caprichoso também vai além da profissão. Filha de Edinelza Cid, ela vem de uma tradição construída ao longo de décadas e transformou o sentimento pelo boi em uma missão de comunicar e preservar a essência do festival.

 

"Comecei no boi trabalhando com comunicação e, quando retornei a Parintins, percebi que cada conteúdo que divulgo é para mostrar a verdadeira essência do Caprichoso, aquilo que é real. Para muita gente, o Festival é um momento de diversão, mas para nós é um sentimento verdadeiro. Comunicar sempre foi algo natural, porque esse amor pelo boi sempre esteve dentro de mim. Não é apenas um festival para brincar", destaca.

 

Mesmo nos períodos em que viveu fora de Parintins, morando em Manaus, Peta nunca se afastou da cultura azul e branca. "No Caprichoso, eu vivo essa continuidade porque nunca me distanciei. É como se toda a minha vida estivesse ligada ao boi. Quando morei em Manaus, continuei acompanhando tudo. Quando surgiu o Bar do Boi, eu estava lá, vivendo o Caprichoso. Essa conexão nunca se perdeu", afirma.

 

A jornalista assina textos na revista do Boi Caprichoso e na publicação oficial da Prefeitura de Parintins para o Festival, traduzindo o amor pela ilha, o cotidiano e a paixão pelo seu boi preferido. Para Peta Cid, fazer comunicação é dar continuidade a um legado familiar e contribuir para que a história do revide azul continue sendo contada pelas novas gerações.


Assim, os herdeiros do Festival seguem escrevendo, fotografando e narrando a paixão bovina, assegurando que a história dos bois de Parintins continue atravessando gerações e encantando o mundo.

 

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