Lula aposta em vitória no segundo turno, defende medidas sociais e anuncia propostas para segurança e saúde

Em entrevista ao SBT Brasil, presidente falou sobre a disputa com Flávio Bolsonaro, respondeu a críticas sobre gastos públicos e apresentou compromissos para um eventual novo mandato

Lula aposta em vitória no segundo turno, defende medidas sociais e anuncia propostas para segurança e saúde Foto: Divulgação Notícia do dia 20/10/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou estar confiante na vitória no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, 25 de outubro. Em entrevista ao telejornal SBT Brasil, exibida na segunda-feira (19), Lula reconheceu que esperava vencer ainda no primeiro turno, mas avaliou que a mobilização popular e a recuperação de votos em diferentes regiões do país poderão garantir sua reeleição.

 

Entrevistado pelas jornalistas Basília Rodrigues, Marina Demori e Simone Queiroz, o presidente respondeu a questionamentos sobre o crescimento eleitoral de Flávio Bolsonaro (PL), a situação econômica do país, os benefícios sociais anunciados durante a campanha, a segurança pública e os desafios do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Ao comentar as pesquisas eleitorais e a disputa acirrada, Lula negou ter subestimado a capacidade de organização da direita brasileira. Segundo ele, o crescimento de movimentos conservadores é um fenômeno observado também em outros países.

 

O presidente admitiu que os resultados de seu governo o levaram a acreditar na possibilidade de vitória no primeiro turno. Agora, aposta na participação popular para reverter o cenário eleitoral.

 

“Eu estou convencido que no dia 25 nós vamos ganhar as eleições”, declarou.

Lula afirmou que manifestações, caminhadas e carreatas realizadas em diferentes cidades demonstram, em sua avaliação, o envolvimento espontâneo de eleitores na campanha. Segundo o candidato, quase 1.700 mobilizações ocorreram no último fim de semana.

 

Lula admite perda de votos e aposta em recuperação eleitoral
Questionado sobre o que mudou na estratégia de campanha entre o primeiro e o segundo turno, Lula recordou a eleição presidencial de 2002, quando enfrentou José Serra e também esperava vencer na primeira votação.

 

O presidente afirmou que, naquela ocasião, ficou frustrado com a necessidade de disputar o segundo turno, mas conseguiu reorganizar sua campanha.

Sobre a eleição atual, reconheceu que perdeu votos em estados onde esperava desempenho melhor. Segundo ele, a campanha trabalha para recuperar esse eleitorado, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, além de contar com o apoio de governadores do Nordeste.

 

Lula destacou Minas Gerais e São Paulo como estados importantes para o resultado da eleição.

Presidente rebate críticas sobre benefícios anunciados durante a campanha
Um dos momentos centrais da entrevista foi o questionamento sobre medidas econômicas e sociais anunciadas pelo governo às vésperas do segundo turno.

 

As jornalistas mencionaram a atualização do Bolsa Família, o perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs) e a proposta de gratuidade do transporte coletivo nos fins de semana.

 

Questionado sobre acusações da oposição de que estaria utilizando medidas sociais com finalidade eleitoral, Lula afirmou que não deixaria de adotar iniciativas consideradas necessárias apenas porque o país está em período de eleições.

 

O presidente argumentou que a reposição da inflação no Bolsa Família foi possível após a equipe econômica identificar espaço fiscal no orçamento.

Em relação aos microempreendedores individuais, afirmou que o Congresso aprovou uma medida de perdão de dívidas que, segundo ele, poderá beneficiar quase quatro milhões de MEIs.

 

Lula também defendeu a ampliação do limite de faturamento da categoria para R$ 140 mil em 2028 e a possibilidade de contratação de até dois empregados.

Governo estuda compra de dívidas para reduzir endividamento

 

Durante a entrevista, Lula apresentou detalhes de uma nova etapa do programa Desenrola, voltado à renegociação de dívidas.

Segundo o presidente, o governo trabalha com a possibilidade de adquirir carteiras de dívidas do sistema financeiro mediante leilões, buscando descontos que poderiam chegar a 95%.

 

Ele mencionou um volume aproximado de R$ 300 bilhões em dívidas e afirmou que a iniciativa pretende permitir que brasileiros endividados recuperem suas condições de acesso ao crédito.

 

Lula também falou sobre a possibilidade de oferecer um apoio financeiro de R$ 5 mil às pessoas contempladas, para que possam reorganizar suas atividades econômicas.

 

As declarações foram apresentadas como propostas do governo, sem detalhamento completo, durante a entrevista, sobre critérios de acesso, financiamento e cronograma de implementação.

 

Lula nega risco de crise fiscal e critica autonomia do Banco Central
Ao ser questionado sobre os impactos das medidas anunciadas nas contas públicas, o presidente rejeitou a avaliação de que o governo estaria deixando uma situação fiscal insustentável para 2027.

 

Lula afirmou que as iniciativas estão sendo conduzidas dentro das possibilidades do orçamento e defendeu seu histórico de responsabilidade fiscal.

O presidente também criticou o modelo de autonomia do Banco Central, argumentando que o governo deveria ter maior participação nas discussões sobre política monetária.

 

Segundo Lula, o pagamento de juros da dívida pública representa um dos principais desafios das contas nacionais.

Fim da escala 6x1 e transporte gratuito nos fins de semana
Outro assunto de destaque foi o fim da escala de trabalho 6x1, após a promulgação, na sexta-feira (16), da emenda constitucional que estabelece a redução da jornada semanal para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado.

 

Lula classificou a mudança como uma conquista histórica dos trabalhadores brasileiros.

O presidente reconheceu que diferentes atividades econômicas possuem necessidades específicas e defendeu negociações entre empresas e trabalhadores para adequar a aplicação das novas regras.

 

Ele também anunciou a intenção de encaminhar ao Congresso Nacional uma proposta de emenda à Constituição para garantir transporte coletivo gratuito nos fins de semana, nas cidades que dispõem desse serviço.

Segundo Lula, a iniciativa permitiria que trabalhadores aproveitassem melhor os dias de descanso, inclusive para atividades de lazer e visitas a familiares.

A proposta de gratuidade ainda depende de apresentação formal, discussão e aprovação pelo Congresso.

 

Segurança pública
Lula defende redução da maioridade penal para crimes hediondos
Na área de segurança pública, Lula confirmou uma mudança em seu posicionamento histórico ao defender a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos.

 

Questionado sobre a mudança, o presidente afirmou que as pessoas precisam estar abertas a rever suas opiniões quando consideram uma medida necessária.

 

A posição representa uma mudança em relação à postura tradicionalmente defendida pelo PT sobre o assunto.

Lula também defendeu a manutenção das saídas temporárias de presos que preencham os requisitos legais, argumentando que o sistema penitenciário deve oferecer oportunidades de reintegração social.

 

Segundo ele, a concessão do benefício precisa considerar a gravidade do crime e o comportamento do condenado.

Governo pretende criar Ministério da Segurança Pública e reforçar combate às facções
O presidente reafirmou que pretende criar um Ministério da Segurança Pública após a aprovação da proposta de emenda constitucional que reorganiza as responsabilidades da União, dos estados e dos municípios no enfrentamento à criminalidade.

 

Lula afirmou que a criação da pasta deverá ocorrer independentemente do resultado das eleições, desde que a PEC seja aprovada.

Entre as medidas apresentadas estão a ampliação dos efetivos da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, o fortalecimento da atuação nas fronteiras e a integração das informações entre as forças de segurança.

 

O presidente também anunciou a intenção de transformar 138 presídios estaduais em unidades de segurança máxima, com o objetivo de impedir que lideranças de organizações criminosas continuem comandando atividades ilegais de dentro das penitenciárias.

 

As propostas exigirão investimentos e articulação entre os governos federal e estaduais.

Lula promete reduzir para 30 dias o prazo entre diagnóstico e tratamento do câncer
Na saúde, Lula apresentou como compromisso a redução do tempo entre a consulta, o diagnóstico e o início do tratamento de pacientes com câncer.

 

Segundo o presidente, a meta é garantir que todo esse processo ocorra em até 30 dias, ampliando o acesso a exames especializados, radioterapia e quimioterapia pelo SUS.

 

Lula afirmou que o governo trabalha para expandir a disponibilidade de aceleradores lineares, equipamentos utilizados no tratamento radioterápico, e fortalecer os serviços especializados em diferentes regiões do país.

O presidente também destacou ações do programa Mais Médicos, a realização de cirurgias eletivas e o atendimento por unidades móveis de saúde.

 

Ele mencionou a utilização de carretas equipadas para exames e diagnósticos, especialmente voltados à saúde da mulher, além da ampliação de laboratórios odontológicos móveis vinculados ao Brasil Sorridente.

 

A meta de atendimento oncológico em 30 dias foi apresentada como compromisso, e não como prazo já garantido a todos os pacientes.

Presidente defende mudanças nos critérios de indicação ao STF
Questionado sobre a possibilidade de novas indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF), Lula defendeu uma discussão sobre mudanças no processo de escolha dos ministros.

 

O presidente afirmou que considera importante ampliar a participação da sociedade e discutir a possibilidade de estabelecer mandatos para integrantes da Corte.

 

Lula também defendeu a indicação de profissionais com conhecimento jurídico e competência para exercer a função.

Ao comentar a indicação de Jorge Messias, rejeitou a avaliação de que tenha sofrido desgaste político e reafirmou sua confiança na capacidade jurídica do indicado.

 

Segundo o presidente, eventuais mudanças no funcionamento do Supremo dependeriam de uma reforma do Judiciário a ser discutida pelo Congresso Nacional.

 

Lula desafia Flávio Bolsonaro a abrir sigilos e troca acusações sobre corrupção
Na parte final da entrevista, Lula voltou a criticar seu adversário, Flávio Bolsonaro, e o desafiou a autorizar a abertura de sigilos bancários e telefônicos para esclarecer acusações envolvendo corrupção.

 

O presidente afirmou que ele e familiares estavam preparando uma autorização para permitir o acesso às informações pelas autoridades competentes.

Durante a resposta, Lula chamou Flávio Bolsonaro de “miliciano” e fez acusações relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro.

 

As declarações foram feitas no contexto da disputa eleitoral e não representam, por si só, comprovação das acusações.

Conforme registrado ao final da entrevista, a campanha do PL foi procurada para comentar a declaração em que Lula chamou Flávio Bolsonaro de miliciano, mas não havia se pronunciado.

 

Disputa presidencial chega à última semana
A entrevista ao SBT Brasil ocorreu a seis dias do segundo turno das eleições presidenciais, em um cenário de disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro.

Os levantamentos eleitorais divulgados nos últimos dias mostram diferenças reduzidas entre os candidatos, com variações de acordo com o instituto de pesquisa.

 

Na reta final da campanha, Lula busca recuperar eleitores e reforçar a defesa das ações de seu governo, enquanto Flávio Bolsonaro disputa o eleitorado com críticas à atual administração e propostas próprias para a economia e a segurança pública.

 

O resultado será definido nas urnas no próximo domingo, 25 de outubro.

Fonte: Entrevista concedida por Luiz Inácio Lula da Silva ao SBT Brasil, em 19 de outubro de 2026, com base na transcrição da entrevista e informações complementares de veículos jornalísticos.

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