Servidores da Funai apresentam nos EUA pesquisa sobre o uso de Inteligência Artificial na preservação das línguas indígenas

O estudo é desenvolvido pelos servidores  da Coordenação-Geral de Tecnologia da Informação (CGTIC) da Funai Cleuber Amaro e Thiago Santos.

Servidores da Funai apresentam nos EUA pesquisa sobre o uso de Inteligência Artificial na preservação das línguas indígenas Foto: Divulgação Notícia do dia 23/04/2024

Resultados parciais da pesquisa “Inteligência Artificial na preservação das línguas indígenas do Brasil" foram apresentados por servidores da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) durante o Simpósio sobre Línguas Ameríndias (SAIL).

 

O evento foi realizado no início de abril pela Universidade do Arizona (UA), em Tucson, nos Estados Unidos. Criado há dez anos pelo brasileiro linguista e professor na UA, Wilson Silva, o SAIL tem como objetivo  proporcionar um espaço para indígenas e parceiros de toda a América discutirem a documentação, descrição, conservação e revitalização das línguas indígenas.

 

O estudo é desenvolvido pelos servidores  da Coordenação-Geral de Tecnologia da Informação (CGTIC) da Funai Cleuber Amaro e Thiago Santos. Amaro afirma que o debate sobre Inteligência Artificial não se limita ao tema das línguas indígenas, se estendendo a diversas outras áreas, como é o caso da soberania dos dados, da regulamentação de seu uso por terceiros e dos impactos negativos e positivos para os povos indígenas. 

 

“A pesquisa tem origem em discussões sobre a ascensão e democratização do acesso irrestrito às tecnologias de inteligência artificial, ainda que seus efeitos, pouco debatidos e conhecidos, tenham potenciais devastadores e irreversíveis. Percebemos que ainda há um vácuo na discussão do tema por parte da Funai, ao passo que ela é a instituição referência na promoção e proteção dos direitos dos povos indígenas e tem todo o potencial para manter esse status também no contexto digital”, explica Cleuber Amaro.

 

Já Thiago Santos aponta que é preciso diálogo para a utilização da tecnologia de maneira adequada. “É preciso avaliar todos os prós e contras de seu uso a partir da demanda de cada povo, com a participação direta da comunidade e com a validação de todos os produtos. Além disso, é importante ressaltar que a tecnologia pode contribuir para mitigar sintomas de um problema que tem raízes mais profundas e cujas causas passam por questões mais complexas, como é o caso da demarcação das terras”, enfatiza. 

 

Também participaram do evento representantes da Universidade Estadual do Mato Grosso (UNEMAT) e da Universidade de Brasília (UnB).

 

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